"IA invisível" já influencia a rotina de 50 milhões de brasileiros
Pesquisa TIC Domicílios 2025 do Cetic.br mostra que 50 milhões de brasileiros já usam IA — mas o mais relevante é como o algoritmo já decide, nos bastidores, preço, crédito e ofertas antes mesmo do primeiro clique.
Uma reportagem publicada nesta semana trouxe um retrato revelador de como a inteligência artificial já influencia o dia a dia de milhões de brasileiros, mesmo sem que a maioria perceba. Segundo dados da pesquisa TIC Domicílios 2025, feita pelo Cetic.br — braço de pesquisa do Comitê Gestor da Internet no Brasil —, cerca de 32% dos usuários de internet no país, o equivalente a 50 milhões de pessoas com 10 anos ou mais, já usam algum tipo de inteligência artificial. Desse total, 84% recorrem à tecnologia para assuntos pessoais.
Mas o dado mais interessante não é esse: é o que os especialistas chamam de "inteligência artificial invisível" — aquela que atua nos bastidores de aplicativos, bancos, lojas on-line e seguradoras, sem que o usuário perceba diretamente. Ao sugerir um restaurante, uma música ou a melhor rota no trânsito, o sistema está cruzando, em tempo real, informações como histórico de buscas, localização, horário de uso e até as preferências de pessoas com perfil parecido com o seu. O resultado parece natural, mas foi calculado por um algoritmo.
No mundo corporativo, esse mesmo tipo de tecnologia ganha um peso maior. No setor financeiro, sistemas de inteligência artificial ajudam bancos a analisar risco, decidir quem recebe crédito e barrar fraudes antes que aconteçam. No varejo, preveem estoque e personalizam ofertas antes mesmo de você fechar a compra. Nos seguros, avaliam perfis e aceleram a aprovação de propostas. "A tecnologia que mais molda a nossa rotina nem sempre é aquela que responde a uma pergunta na tela. Muitas vezes, ela já entrou em ação antes do primeiro clique", explica Wesley Araújo, especialista da consultoria Blueshift, ouvido pela reportagem.
O alerta que fica é sobre supervisão. Relatórios internacionais como o Stanford AI Index e o NIST AI Risk Management Framework, dos Estados Unidos, reforçam que decisões automatizadas envolvendo dinheiro, preços ou segurança precisam continuar sendo revisadas por seres humanos, e não apenas confiadas ao algoritmo.
Para o público acima de cinquenta anos, entender essa "IA invisível" ajuda a interpretar melhor situações do dia a dia — por que um app de compras oferece um preço diferente do vizinho, por que um pedido de crédito é aprovado mais rápido em um banco do que em outro, ou por que certas propagandas parecem "ler a sua mente". Não é mágica: é um sistema calculando, o tempo todo, o que é mais provável que você aceite.