Você usaria uma inteligência artificial pra entender seu diagnóstico de câncer? Veja o que mostra nova pesquisa com pacientes
Uma pesquisa do Instituto Oncoguia, organização brasileira de apoio a pacientes com câncer, ouviu 1.186 pessoas entre julho e setembro de 2026 e descobriu que 82,3% dos pacientes e familiares já usaram alguma inteligência artificial para tratar de assuntos de saúde, doença ou tratamento. Os usos mais comuns foram entender exames e laudos médicos (79%), entender o próprio diagnóstico (67%) e pesquisar efeitos colaterais de remédios e tratamentos (63,9%).
Uma pesquisa do Instituto Oncoguia, organização brasileira de apoio a pacientes com câncer, ouviu 1.186 pessoas entre julho e setembro de 2026 e descobriu que 82,3% dos pacientes e familiares já usaram alguma inteligência artificial para tratar de assuntos de saúde, doença ou tratamento. Os usos mais comuns foram entender exames e laudos médicos (79%), entender o próprio diagnóstico (67%) e pesquisar efeitos colaterais de remédios e tratamentos (63,9%). As ferramentas mais citadas pelos participantes foram o ChatGPT, o Gemini (do Google) e o assistente de IA do WhatsApp. Divulgada em outubro de 2026, a pesquisa mostrou ainda que 92,9% das pessoas que usaram IA disseram que ela ajudou a compreender melhor a doença ou o tratamento — um sinal de que, para muita gente, a inteligência artificial virou uma espécie de "segunda opinião" rápida depois da consulta com o médico.
Apesar da ajuda, a maioria dos pacientes não usa a ferramenta de olhos fechados: 79,2% disseram que conferem sempre ou quase sempre o que a inteligência artificial responde, e 64,6% apontaram o próprio médico como principal referência para fazer essa checagem. Quase 65% já levaram, numa consulta, alguma informação que encontraram com ajuda de IA para perguntar à equipe de saúde. Clarissa Baldotto, oncologista e presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, afirma que esse uso já é comum no consultório e que a inteligência artificial ajuda a preencher lacunas que sobram do pouco tempo de consulta — por isso ela defende que os médicos não devem desestimular nem constranger o paciente que chega com perguntas baseadas em pesquisas feitas em casa.
Luciana Holtz, psicóloga e presidente do Instituto Oncoguia, resume bem o motivo de tanta gente recorrer à tecnologia: "o efeito colateral acontece em casa, não acontece no consultório" — ou seja, muitas dúvidas e medos surgem justamente quando não há ninguém da equipe de saúde por perto para responder. Por isso o instituto lançou, no início de outubro, um e-book gratuito com orientações para quem quer usar IA de forma mais segura durante o tratamento de câncer, reforçando pontos como pedir sempre a fonte da informação e conferir se ela é realmente atual, já que remédios e protocolos de tratamento mudam com frequência.
Para quem tem mais de cinquenta anos — faixa em que o câncer é mais comum — o recado da pesquisa é equilibrado: não há problema em usar uma inteligência artificial para entender melhor um exame ou tirar uma dúvida depois da consulta, desde que isso nunca substitua o médico. Não use a IA para tentar fechar um diagnóstico por conta própria, nem para decidir mudar de tratamento sozinho. Se a resposta da inteligência artificial for diferente do que o médico disse, leve a diferença como uma pergunta na próxima consulta — nunca como uma verdade pronta — e nunca compartilhe dados pessoais como CPF, endereço ou número da carteirinha do plano de saúde durante essas conversas.
Fonte: ES Hoje