Um vídeo de "médico" no YouTube pode estar mentindo pra você? Google removeu 46 canais de médicos falsos criados por inteligência artificial
Um vídeo de "médico" no YouTube pode estar te enganando sem você perceber? Pode, sim — e o governo brasileiro já tomou uma providência concreta sobre isso. A pedido do Ministério da Saúde, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google para remover canais e vídeos de médicos criados por inteligência artificial que davam conselhos de saúde sem qualquer autorização de um órgão médico de verdade.
Um vídeo de "médico" no YouTube pode estar te enganando sem você perceber? Pode, sim — e o governo brasileiro já tomou uma providência concreta sobre isso. A pedido do Ministério da Saúde, a Advocacia-Geral da União (AGU) notificou o Google para remover canais e vídeos de médicos criados por inteligência artificial que davam conselhos de saúde sem qualquer autorização de um órgão médico de verdade. O resultado, confirmado em 30 de setembro de 2026: o Google retirou 46 canais e 11 vídeos das buscas do YouTube.
Entre 1º de janeiro e 10 de julho de 2026, o Ministério da Saúde já tinha identificado 97 perfis desse tipo circulando na internet. Segundo a AGU, o conteúdo desses canais trazia informações falsas, promessas de cura e tratamentos sem nenhuma comprovação científica — tudo apresentado por uma figura de "médico" gerada inteiramente por inteligência artificial, com voz, rosto e jeito de falar que imitam um profissional de verdade, mas que não existe. O relatório com as evidências também foi enviado à Polícia Federal e ao Conselho Federal de Medicina, para apuração mais a fundo.
O risco apontado pelo próprio Ministério da Saúde é direto: esse tipo de vídeo pode levar alguém a se automedicar, a investir tempo e dinheiro em terapias sem eficácia comprovada, ou até a interromper um tratamento médico de verdade por acreditar numa "solução milagrosa" sugerida por um personagem que nunca existiu. Vale notar que o Google informou que, além dos canais do YouTube, outros 10 sites denunciados não puderam ser removidos diretamente por pertencerem a terceiros — ou seja, nem toda essa remoção depende só de uma empresa: o problema é maior do que um único aplicativo ou rede social.
Para quem tem mais de cinquenta anos, o alerta prático aqui vale para qualquer conteúdo de saúde encontrado nas redes: antes de seguir uma recomendação de um "médico" visto num vídeo, vale conferir se esse profissional existe de verdade (uma busca rápida pelo nome, junto com o número do CRM, já ajuda) e, principalmente, nunca abandonar ou trocar um tratamento prescrito pelo seu médico de confiança por conta de algo visto na internet — mesmo que o vídeo pareça muito convincente, com voz e aparência realistas. Hoje, a inteligência artificial já consegue criar um "médico" inteiro que nunca existiu, e nem sempre é fácil notar a diferença a olho nu.
Fonte: Band