A inteligência artificial realmente alivia a solidão de quem mora só? Veja o que a ciência descobriu, e qual é o obstáculo que ainda falta resolver
A inteligência artificial realmente alivia a solidão de quem mora só? Uma revisão científica recente analisou estudos sobre quatro tipos diferentes de inteligência artificial usados para esse fim — robôs sociais capazes de interagir emocionalmente, assistentes de voz, sistemas de telepresença (como chamadas de vídeo com um "avatar") e chatbots de conversa disponíveis o tempo todo — e encontrou uma resposta animadora, mas incompleta: os robôs sociais foram os que mais ajudaram a reduzir a sensação de solidão, principalmente quando a interação era frequente, personalizada e de longa duração. Só que existe um obstáculo importante, e ele não é a tecnologia em si: é o acesso a ela.
A inteligência artificial realmente alivia a solidão de quem mora só? Uma revisão científica recente analisou estudos sobre quatro tipos diferentes de inteligência artificial usados para esse fim — robôs sociais capazes de interagir emocionalmente, assistentes de voz, sistemas de telepresença (como chamadas de vídeo com um "avatar") e chatbots de conversa disponíveis o tempo todo — e encontrou uma resposta animadora, mas incompleta: os robôs sociais foram os que mais ajudaram a reduzir a sensação de solidão, principalmente quando a interação era frequente, personalizada e de longa duração. Só que existe um obstáculo importante, e ele não é a tecnologia em si: é o acesso a ela.
Segundo os pesquisadores, os efeitos positivos encontrados nos estudos costumavam desaparecer pouco tempo depois que o acompanhamento com o robô ou chatbot terminava — ou seja, o benefício depende de uso contínuo, não é algo que "cura" a solidão de uma vez. Os próprios autores da revisão são claros ao afirmar que esse tipo de inteligência artificial pode complementar o apoio social que uma pessoa recebe, mas não substitui o contato humano real, com família, amigos e vizinhos.
O "grande obstáculo" citado pelos cientistas é justamente que as pessoas que mais sofrem com a solidão — muitas vezes moradores de áreas rurais, com menos escolaridade formal ou com pouca rede de apoio por perto — são exatamente as que têm mais dificuldade para usar esse tipo de ferramenta digital no dia a dia. Faltam, nesses casos, alfabetização digital, confiança na tecnologia e, em muitos lugares, até acesso a uma internet de qualidade. Isso cria um paradoxo preocupante: a solução acaba beneficiando primeiro quem já tem uma vida mais conectada e assistida, e não quem precisa mais dela. Outra limitação apontada pelos cientistas é que a maior parte dessas pesquisas foi feita fora da Europa e ainda há poucos estudos de longo prazo — ou seja, ainda não dá para garantir que o efeito positivo se mantém depois de muitos meses ou anos de uso.
Para quem tem mais de cinquenta anos e mora sozinho, ou tem um familiar nessa situação, a lição prática desta pesquisa é equilibrada: um assistente de voz, um chatbot de companhia ou mesmo uma videochamada combinada com uma inteligência artificial podem, sim, ajudar a preencher momentos de solidão no dia a dia — mas funcionam melhor como um complemento, não como substituto, do contato humano de verdade. E, se a dificuldade for usar o aparelho ou o aplicativo, vale pedir ajuda a um filho, neto ou vizinho para aprender o primeiro passo: é exatamente essa barreira de acesso, e não a falta de vontade, que os cientistas apontam como o maior entrave para quem mais precisaria desse tipo de companhia digital.
Fonte: Gizmodo Brasil