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Idoso sozinho recebe ligação de uma inteligência artificial: vale a pena essa companhia por telefone?

A americana Meela liga por telefone para conversar com idosos que moram sozinhos — sem aplicativo, só a voz do outro lado da linha perguntando como foi o dia. Especialistas reforçam: é um complemento à companhia humana, nunca um substituto.

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Nos Estados Unidos, moradores de casas de repouso têm recebido ligações de uma inteligência artificial chamada Meela, criada para conversar por telefone com quem vive sozinho. Não é um robô físico nem um aplicativo para instalar: é uma voz do outro lado da linha que pergunta como foi o dia, puxa assunto sobre hobbies e escuta com paciência. Salvador Gonzalez, de 84 anos, é um dos usuários: conversa de dez a vinte minutos com a Meela sobre música, sobre como está se sentindo e sobre detalhes do dia a dia. Cerca de 70 idosos de uma mesma casa de repouso já se inscreveram para receber as ligações. A ideia não é substituir contato humano, e sim preencher os momentos vazios entre uma visita e outra — e funciona bem justamente por usar um meio que a geração 50+ já domina de cor: o telefone.

Pesquisas recentes sobre tecnologia e solidão na terceira idade mostram um leque de soluções: robôs sociais com capacidade de interação emocional, assistentes de voz, sistemas de telepresença que conectam parentes à distância e chatbots de conversa disponíveis a qualquer hora. Entre essas alternativas, os robôs sociais aparecem como os que mais reduzem a sensação de solidão nos estudos — mas os especialistas são unânimes num ponto: nenhuma tecnologia, sozinha, resolve o problema. Na Coreia do Sul, bairros de Seul e Yongin já oferecem dispositivos de IA para idosos que moram sozinhos, alguns capazes até de perceber sinais de mortes solitárias, quando ninguém nota por dias que a pessoa precisava de ajuda.

O próprio estudo que acompanhou casos como o de Salvador Gonzalez faz questão de frisar: essas ferramentas são promissoras, mas ainda são um recurso emergente, não uma solução completa. Uma conversa com uma inteligência artificial pode ajudar a preencher um horário ocioso e trazer uma sensação de companhia, mas não substitui uma ligação de um filho, uma visita de um neto ou um encontro com amigos — o risco é a tecnologia virar desculpa para adiar esse contato, em vez de complementá-lo.

Para quem tem mais de cinquenta anos e vive sozinho, ou tem um familiar nessa situação, vale considerar esse tipo de ferramenta como um complemento, nunca como substituto: uma companhia a mais para os momentos vazios do dia, sem deixar de lado as ligações de verdade para quem se ama. E, como em qualquer contato por telefone com um número desconhecido, vale desconfiar se, no meio da conversa, surgir um pedido de dado pessoal ou dinheiro — isso nunca é parte legítima desse tipo de serviço.

Fonte: Forbes

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