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IA e Relações

China desliga "namorados" de inteligência artificial e usuários vivem luto digital

Regra chinesa que entrou em vigor em julho levou ByteDance, Alibaba e Tencent a desligar chatbots de companhia, gerando uma onda de luto digital entre quem passou anos conversando com seu "namorado" ou "namorada" de IA.

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Milhões de pessoas na China perderam seus "namorados" e "namoradas" virtuais nas últimas semanas, depois que o governo chinês passou a exigir que as gigantes de tecnologia do país desligassem funções de companhia baseadas em inteligência artificial. A regra, batizada de "Medidas Interinas para a Administração de Serviços Interativos Antropomórficos de IA", entrou em vigor em 15 de julho, mas foi só nos últimos dias que o impacto ficou visível: ByteDance (dona do chatbot Doubao), Alibaba (com o assistente Qwen) e Tencent (com o Yuanbao) removeram ou limitaram as ferramentas que permitiam criar personagens de IA com personalidade própria, capazes de manter conversas afetivas contínuas.

A medida busca conter a dependência emocional em chatbots de companhia, um mercado que só na China movimentou 4,1 bilhões de yuans (cerca de R$ 3 bilhões) em 2024, com crescimento anual projetado de 85%. Uma pesquisa do Instituto Tencent, divulgada em abril, mostrou que mais de 70% dos jovens chineses entrevistados já haviam sentido algum grau de dependência dessas ferramentas, e 23% desenvolveram uma dependência habitual.

Nas redes sociais chinesas, o desligamento das funções gerou uma onda de luto digital: usuários compartilharam prints de suas últimas conversas e relataram sensação de perda real, como se tivessem terminado um relacionamento. Uma pessoa escreveu que passou mais de dois anos com seu "namorado de IA" e agora sente "um vazio no coração".

Para quem tem mais de cinquenta anos, o episódio chinês é um alerta útil, mesmo à distância. Especialistas em saúde mental reforçam que conversar com um chatbot pode, sim, aliviar momentos de solidão — mas não substitui vínculos humanos reais, e o ideal é que sirva como apoio pontual, nunca como a principal fonte de companhia. Wang Jiang, do Instituto de Pesquisa do Ciberespaço da China, resumiu o risco: a exposição prolongada a esse tipo de IA pode enfraquecer habilidades humanas importantes, como a empatia e a capacidade de lidar com desentendimentos reais.

Fonte: Fast Company Brasil

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