Estudo de Stanford mostra que IA pode piorar a solidão em vez de aliviar
Pesquisa de Stanford publicada na Nature Human Behaviour mostrou que pessoas com poucos contatos sociais que buscam apoio emocional em chatbots de IA se sentem mais sozinhas depois — e o debate sobre "traição" com companheiros de IA ganhou força na mesma semana.
Uma pesquisa da Universidade Stanford, divulgada nos primeiros dias de agosto e publicada na revista científica Nature Human Behaviour, trouxe um dado que reacendeu o debate sobre até que ponto vale a pena buscar companhia emocional em um chatbot de inteligência artificial. Os pesquisadores, liderados pela professora Diyi Yang, do Departamento de Ciência da Computação de Stanford, analisaram respostas de 1.131 usuários do aplicativo Character.AI nos Estados Unidos, além de quase 465 mil mensagens trocadas em mais de 4.600 conversas doadas voluntariamente para o estudo.
A conclusão surpreendeu até a própria equipe: pessoas que já tinham poucos contatos sociais no mundo real e recorreram ao chatbot para desabafar sobre problemas pessoais não se sentiram melhor depois — na maioria dos casos, se sentiram mais sozinhas. Segundo Diyi Yang, abrir o coração para uma inteligência artificial não substitui uma conversa com outro ser humano, e em muitos casos o efeito é o oposto do esperado. A pesquisadora alerta para um círculo vicioso: quem já tem pouca rede de apoio se apega ao chatbot, reduz ainda mais o contato humano real, e acaba se sentindo mais solitário do que antes.
O estudo chegou poucos dias antes de a imprensa internacional intensificar outro debate ligado ao tema: afinal, ter um "namorado" ou "namorada" de inteligência artificial conta como traição? Uma reportagem da emissora australiana ABC, publicada em 13 de agosto, mostrou que cerca de dois terços das pessoas que mantêm esse tipo de relacionamento romântico com um chatbot escondem isso do parceiro ou parceira real — e quase metade delas já está em um relacionamento humano ao mesmo tempo em que conversa com a inteligência artificial de forma íntima.
Para quem tem mais de cinquenta anos, o alerta dos pesquisadores é simples e vale a pena guardar: não há problema algum em usar um assistente de inteligência artificial para organizar o dia, tirar uma dúvida ou até bater um papo ocasional. O risco aparece quando ele começa a substituir as conversas com filhos, amigos, vizinhos ou grupos da igreja e do bairro — o tipo de contato humano que nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, consegue repor de verdade.
Fonte: Stanford Report