Óculos com inteligência artificial passam a ser testados em todo o Brasil por pessoas cegas: veja como funciona
A Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), em parceria com a Meta, começou um "laboratório vivo" pra testar os óculos Ray-Ban Meta com assistente de inteligência artificial no dia a dia de pessoas com deficiência visual, nas cinco regiões do país. O equipamento descreve o ambiente, lê textos e identifica objetos por comando de voz, sem substituir bengala, cão-guia ou Braille.
A Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), em parceria com a Meta, começou em setembro de 2026 um "laboratório vivo" para testar, no dia a dia real de pessoas com deficiência visual, os óculos inteligentes Ray-Ban Meta equipados com assistente de inteligência artificial. O programa reúne colaboradores, jovens em formação e pessoas ligadas a projetos da própria ONCB, como a Rádio ONCB e os Postos Ágora de empregabilidade, espalhados pelas cinco regiões do Brasil — ou seja, não é um teste concentrado numa única cidade, mas uma avaliação em diferentes realidades do país.
Os óculos permitem que a pessoa ouça descrições do ambiente ao redor, peça pra ler textos em voz alta, identifique objetos e acesse informações, tudo por comando de voz e com as mãos livres — uma vantagem a mais pra quem já usa bengala ou cão-guia e precisa das mãos ocupadas. Beto Pereira, presidente da ONCB, fez questão de reforçar que a tecnologia é complementar, e não substitui ferramentas tradicionais de mobilidade e acessibilidade, como o Braille, a bengala ou o cão-guia.
Pela Meta, a executiva Mag Kang destacou o orgulho em desenvolver, junto com a própria comunidade de pessoas cegas, uma tecnologia vestível pensada para ajudar nas tarefas do dia a dia com mais independência — e não apenas lançada de cima pra baixo, sem ouvir quem vai de fato usar o equipamento. Carlos Ferrari, também da ONCB, reforçou a importância de os equipamentos seguirem o conceito de design universal, pensado para atender diferentes tipos de necessidade.
Para quem tem mais de cinquenta anos e enfrenta baixa visão ou cegueira, ou tem um familiar nessa situação, vale acompanhar os resultados desse laboratório vivo da ONCB nos próximos meses — e, enquanto isso, procurar a associação de cegos mais próxima da sua cidade pra saber se já existe algum programa de testes ou distribuição de óculos com inteligência artificial na sua região, já que iniciativas parecidas (como a de Maricá, no Rio de Janeiro, noticiada em edições anteriores) têm aparecido em diferentes partes do país.
Fonte: Jornalista Inclusivo