Óculos com inteligência artificial chegam de graça a alunos cegos: como funciona a tecnologia?
O governo do Paraná distribui gratuitamente óculos com inteligência artificial (OrCam MyEye 2.0) para 147 alunos com cegueira total da rede estadual, dispositivo que lê textos em voz alta e reconhece rostos sem precisar de internet.
O governo do Paraná começou a distribuir gratuitamente óculos com inteligência artificial para os 147 alunos com cegueira total matriculados na rede estadual de ensino, segundo anúncio da Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial do estado. O modelo escolhido, o OrCam MyEye 2.0, é um dispositivo leve que se prende à armação de qualquer óculos comum e usa uma câmera para ler textos em voz alta, reconhecer rostos já cadastrados e identificar produtos do dia a dia — tudo sem precisar de conexão com a internet. Para os estudantes, a promessa é mais autonomia dentro e fora da sala de aula: ler um livro, uma prova ou uma placa de rua sem depender de outra pessoa a cada instante.
O movimento acompanha uma tendência maior: cada vez mais empresas de tecnologia lançam óculos equipados com câmera, microfone e inteligência artificial voltados para quem é cego ou tem baixa visão. A empresa Solos, por exemplo, uniu forças com a Envision para lançar um assistente chamado Ally, integrado a óculos inteligentes que descrevem o ambiente ao redor por voz. Já os óculos Ray-Ban, feitos em parceria com a Meta, permitem até conectar o usuário por chamada de vídeo a voluntários que enxergam, para ajudar numa tarefa específica, como ler o rótulo de um remédio.
O diferencial do programa do Paraná é o custo zero para a família: dispositivos desse tipo costumam custar bem mais que um óculos comum, o que limitava o acesso a quem podia pagar. Ao entregar o equipamento pela rede pública de ensino, o estado tenta reduzir essa desigualdade — ainda que a iniciativa, por enquanto, esteja restrita aos alunos matriculados na rede estadual, não à população em geral.
Para quem tem mais de cinquenta anos e enfrenta baixa visão, ou tem um neto ou familiar nessa situação, vale a pena perguntar à Secretaria de Educação ou à associação de pessoas com deficiência visual da sua cidade se programas parecidos já chegaram à sua região — e, como sempre, lembrar que esse tipo de óculos é uma ferramenta de apoio à autonomia, não um tratamento: o acompanhamento oftalmológico continua sendo indispensável.
Fonte: Secretaria da Inovação e Inteligência Artificial do Paraná