IA ajuda a diagnosticar catarata mais cedo no Agosto Cinza
Na campanha Agosto Cinza, dados da Fiocruz mostram que 14 milhões de brasileiros 50+ têm catarata — retinógrafos portáteis com IA já ajudam no diagnóstico precoce em Unidades Básicas de Saúde por todo o país.
Agosto é o mês da campanha "Agosto Cinza", dedicada à conscientização sobre a catarata — a principal causa de cegueira reversível no mundo. Um levantamento da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) mostra a dimensão do problema no Brasil: 25% dos brasileiros com cinquenta anos ou mais, o equivalente a 14 milhões de pessoas, já têm catarata. Médicos alertam que um dos maiores erros da população é adiar a consulta até a visão piorar bastante, esperando a catarata "amadurecer" — um conceito que a medicina considera hoje ultrapassado.
A inteligência artificial tem ajudado a mudar esse cenário, principalmente na etapa do diagnóstico. Equipamentos chamados retinógrafos portáteis, acoplados a um smartphone, já são usados em mutirões de saúde pelo país — como o programa que roda em Unidades Básicas de Saúde de Campo Grande, feito em parceria entre telemedicina e inteligência artificial. O aparelho fotografa o fundo do olho, e um software de IA analisa a imagem na hora, identificando sinais de catarata, glaucoma e retinopatia diabética muitas vezes antes de a pessoa sentir qualquer sintoma.
Esse tipo de tecnologia também está no centro de um investimento federal de cerca de R$ 1,8 bilhão anunciado para modernizar Unidades Básicas de Saúde em mais de cinco mil municípios brasileiros, com o objetivo de ampliar o acesso ao diagnóstico precoce de doenças oculares — incluindo a compra de mais retinógrafos portáteis para uso em rastreamentos populacionais.
Para quem tem mais de cinquenta anos, o recado prático é simples: sinais como visão embaçada, sensibilidade exagerada à luz, dificuldade para dirigir à noite ou necessidade de trocar o grau dos óculos com frequência merecem uma consulta oftalmológica, não devem ser encarados como algo "normal da idade". Quanto mais cedo o diagnóstico — cada vez mais rápido graças à inteligência artificial —, mais simples e segura tende a ser a cirurgia, quando ela for necessária.
Fonte: Medicina S/A