Diagnóstico de doença cerebral pode demorar até 24 horas: veja como a inteligência artificial já ajuda o SUS a ganhar essa corrida
A healthtech Neurogram já processou mais de dez mil eletroencefalogramas no SUS este ano com apoio de inteligência artificial, permitindo que um exame feito no Maranhão seja lido por uma médica em São Paulo — segundo a CEO Daniele de Mari, a meta é reduzir o tempo de diagnóstico de até 24 horas para minutos.
Uma healthtech brasileira está usando inteligência artificial pra agilizar um exame que pode significar a diferença entre recuperação total e sequela permanente. A Neurogram, fundada em 2021, já processou mais de dez mil exames de eletroencefalograma dentro do SUS neste ano — o exame em que eletrodos captam a atividade elétrica do cérebro, usado principalmente pra diagnosticar epilepsia e outras condições neurológicas.
O problema que a empresa resolve é geográfico: médicos capacitados pra interpretar esse tipo de exame ficam concentrados nas regiões Sul e Sudeste do país. Com a plataforma da Neurogram — compatível com os principais equipamentos usados no Brasil e que envia os dados de forma criptografada pra nuvem — um exame feito no Maranhão pode ser lido por uma médica em São Paulo, sem que ela precise estar no mesmo estado do paciente.
Segundo a cofundadora e CEO da empresa, Daniele de Mari, a lógica por trás do projeto é a máxima de que "tempo é cérebro": um paciente internado em UTI pode desenvolver um padrão de crise epiléptica que, se não identificado em até trinta minutos, resulta em perda neurológica permanente. Sem apoio de tecnologia, esse tipo de exame às vezes só é analisado entre doze e vinte e quatro horas depois de feito — a meta da empresa é reduzir drasticamente esse intervalo.
Para quem tem mais de cinquenta anos, ou tem um familiar internado ou em acompanhamento neurológico, essa mudança tende a significar diagnóstico mais rápido, especialmente em emergência — mas vale lembrar que a inteligência artificial aqui trabalha nos bastidores do hospital, apoiando o médico. O paciente continua tendo todo o direito de pedir explicação sobre qualquer exame ou laudo.
Fonte: Times Brasil (CNBC)