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Usar a inteligência artificial como amigo é bom ou ruim? Pesquisa mostra que 1 em cada 10 brasileiros já faz isso

Uma pesquisa da Talk Inc, feita com 1.000 brasileiros e divulgada em setembro de 2026, mostrou que 1 em cada 10 já usa alguma plataforma de inteligência artificial como amigo ou conselheiro para conversar sobre assuntos pessoais — e 60% tratam o chat com educação, como se falassem com uma pessoa de verdade. Especialistas alertam para o crescimento do "afeto artificial" e reforçam que a solidão continua sendo o problema de fundo.

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Uma pesquisa da Talk Inc, feita com 1.000 pessoas de todas as regiões e classes sociais do Brasil e divulgada em setembro de 2026, mostrou que 1 em cada 10 brasileiros já usa alguma plataforma de inteligência artificial como amigo ou conselheiro para conversar sobre assuntos pessoais e emocionais. O levantamento aponta que boa parte dessas pessoas trata o programa quase como trataria uma pessoa de verdade: 60% dizem conversar de forma educada com o chat, como se estivessem falando com um humano. Os motivos mais citados foram a vontade de organizar os próprios pensamentos, a falta de alguém disponível na hora certa e, principalmente, o isolamento social e a solidão — um problema que a Organização Mundial da Saúde já trata como uma epidemia global, presente em todas as idades.

Especialistas ouvidos na pesquisa chamam atenção para o crescimento do chamado "afeto artificial": o desenvolvimento de vínculos emocionais profundos com a tecnologia, que em casos mais extremos já levou pessoas a descreverem a relação com a inteligência artificial como um namoro ou até um casamento. A preocupação central não é que conversar com um chatbot seja proibido ou perigoso por si só, mas que ele substitua, aos poucos, o contato com pessoas de verdade.

A pesquisa reforça que a solidão continua sendo o problema de fundo, e a inteligência artificial funciona, na melhor das hipóteses, como uma resposta parcial a ele — nunca como a solução completa.

Para quem tem mais de cinquenta anos, o achado é uma boa oportunidade para uma reflexão simples: não tem nada de errado em desabafar com um assistente de inteligência artificial num momento de solidão, ou usar isso para colocar as ideias em ordem antes de uma conversa importante. O cuidado começa quando essa conversa vira o único lugar de desabafo do dia. Ligar para um filho, marcar um café com uma amiga ou simplesmente sair de casa continuam sendo insubstituíveis — a inteligência artificial pode ser uma companhia extra, nunca a única.

Fonte: CNN Brasil

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