Golpe do "sósia" usa reconhecimento facial pra tentar abrir conta no seu nome: veja como se proteger
A Serasa Experian identificou o "golpe do sósia": criminosos usam inteligência artificial pra comparar rostos em bancos de dados e encontrar pessoas parecidas com eles, tentando abrir contas ou fazer cadastros com a identidade de quem foi encontrado. Só no 1º semestre de 2026 a empresa bloqueou 2,86 milhões de tentativas desse tipo de fraude.
A Serasa Experian identificou, em seu relatório "Mapa da Fraude" do primeiro semestre de 2026, uma modalidade de golpe batizada de "golpe do sósia", que usa inteligência artificial para tentar burlar sistemas de reconhecimento facial. Diferente do golpe tradicional, que começa roubando os dados de uma vítima específica, esse golpe funciona ao contrário: o criminoso usa ferramentas de comparação facial baseadas em IA pra vasculhar bancos de dados (muitas vezes obtidos de forma ilegal) em busca de alguém fisicamente parecido com ele mesmo. Encontrada essa pessoa, o golpista tenta usar os dados dela pra abrir contas, fazer cadastros ou outras fraudes, contando que a semelhança no rosto engane o sistema de biometria facial.
Os números do levantamento mostram o tamanho do problema: só no primeiro semestre de 2026, a Serasa bloqueou 2,86 milhões de tentativas de fraude desse tipo — um crescimento de quase 33% em relação ao mesmo período de 2025 —, numa média de uma tentativa de alto risco a cada 5,5 segundos. Segundo a empresa, esse tipo de bloqueio evitou um prejuízo estimado em R$ 3,77 bilhões só nesse período.
A boa notícia é que a defesa contra esse golpe específico não depende da vítima ter feito algo errado — o problema está na forma como o criminoso usa a própria aparência pra tentar passar por outra pessoa. Ainda assim, existem cuidados que reduzem a chance de alguém usar seus dados numa fraude desse tipo.
Para quem tem mais de cinquenta anos, a Serasa recomenda alguns cuidados simples: nunca compartilhar fotos de documentos ou selfies segurando documentos por WhatsApp, e-mail ou redes sociais; só fazer reconhecimento facial em aplicativos oficiais de bancos, do governo ou de empresas conhecidas; usar senha forte com confirmação em duas etapas sempre que possível; e, pelo menos uma vez por ano, consultar o próprio CPF em um site oficial (como o Registrato, do Banco Central, ou a própria Serasa) pra conferir se não foi aberta nenhuma conta ou cadastro sem o seu conhecimento.
Fonte: O Tempo